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COMUNIDADE CATÓLICA SAGRADA FACE

ORAÇÃO À SAGRADA FACE Ó meu Jesus, lançai sobre nós um olhar de misericórdia! Volvei Vossa face para cada um de nós, como fizestes à Verônica, não para que a vejamos com os olhos corporais, pois não o merecemos. Mas volvei-a para nosso coração, a fim de que, amparados sempre em Vós, possamos haurir nesta fonte inesgotável as forças necessárias para nos entregarmos ao combate que temos que sustentar. Amém. ORAÇÃO DA AMIZADE Senhor, quão poucos são os verdadeiros amigos, porque imperfeitos, limitados! Muitas vezes decepciono-me, esquecido de que sou eu quem erra quando espero deles uma perfeição, uma santidade e um perfeito amor o qual somente Vós possui e mesmo aqueles que Vos amam verdadeiramente, são falhos, porque humanos. Fazei-me, obstante as dificuldades, bondoso e verdadeiramente amigo para com todos, sem nada esperar, nem mesmo um só agradecimento. Sois, Senhor, o melhor e mais perfeito amigo entre todos os meus amigos. Vós que me amais com um amor perfeito, ensinai-me a amar com o Vosso coração, a olhar com Vossos olhos e a viver sempre como testemunha digna da profunda amizade e amor que sempre tivestes e tendes para comigo. Amém. Envie sugestões e duvidas para
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A Verdadeira Família em Cristo

Famílias e Problemas de Comportamento Por: Gabriela Córdova Olguín (psicóloga)

Desde o começo da vida, a família tem uma enorme influência no desenvolvimento de um menino, já que dependem dela para obter alimento, proteção e segurança para seu próprio bem-estar. Com o nascimento dos filhos, é quando se criam mudanças importantes, a família se deve reorganizar para enfrentar as novas tarefas, e se volta indispensável a elaboração de novas regras.Nos primeiros anos de vida, os meninos estão tratando de aplicar suas próprias idéias, exercer suas próprias preferências e tomar suas próprias decisões. Esta maneira de conduzir-se a demonstram na forma de negativismo, a tendência a gritar NãO como uma forma de resistência à autoridade. No entanto, é importante ter em conta que quase todos os meninos manifestam algum grau de negativismo e não por isso se deve de pensar que têm problemas com a obediência. é importante assinalar que o desenvolvimento normal não segue uma trajetória livre de dificuldades, quando uma grande proporção de meninos têm uma conduta “problema”, deve-se tomar em consideração a possibilidade de mudar a situação como meio para aliviar a dificuldade. Ademais seria importante propor-se as seguintes perguntas: é a conduta do menino geralmente apropriada dentro de meninos de sua idade?, Há dificuldades reais no ambiente do menino às que possa atribuir-se o problema?, Se produziu alguma mudança radical na conduta do menino?, Quanto tempo perdurou o sintoma?. Muitos problemas comportamentais diminuem ou aumentam com a idade, ou ao experimentar mudanças importantes dentro da família, ou bem, a entrada à escola, mudanças de domicílio, a chegada de novos membros à família. E tanto os pais como os maestros estarão ao brinco do comportamento dos meninos e se este persiste, se terão que tomar medidas de solução. Os meninos precisam que se lhes guie de maneira gradual para ser independentes, que se utilize a aprovação pessoal para recompensar seus esforços e isto mesmo ajudará no desenvolvimento de sua autoestima.O estabelecer limites firmes e bem definidos, ajuda aos meninos a deter condutas que poderiam ser agressivas ou bem pôr em risco.. A comunidade familiar Por: Padre Nicolás Schwizer O que podemos fazer, concretamente, para que nossa família natural seja uma verdadeira comunidade de amor? 1. Comunidade de amor matrimonial Para sê-lo, temos de educar-nos para ir conquistando, de todas as maneiras possíveis, um encontro mútuo mais profundo: de maior confiança, interioridade, comunicação entre marido e mulher. é importante que possamos entreter-nos juntos, que não necessitemos de outros para estar à vontade. Devemos ter a alegria de ser esposos, a alegria de viver juntos e compartilhar tudo. Não deveria suceder que em nossos matrimônios haja homens ou mulheres que se sintam sozinhos, sem comunicação, que lhes falta companhia de parte do cônjuge. Os perigos: Para que aconteça esse encontro profundo, devemos evitar os perigos: O perigo do trabalho (equilíbrio entre trabalho e vida familiar), o perigo dos amigos (que podem influir negativamente no matrimônio), o perigo dos parentes (que infelizmente às vezes são inimigos)... E dos perigos internos, como por exemplo: a rotina, o egoísmo, a incompreensão, a desilusão... Frente a esses perigos concretos temos que buscar os seguros para nossa comunidade de amor matrimonial. a) A conversa ou o diálogo regular. Pode ser semanal, quinzenal ou mensal. é um momento no qual o matrimônio como tal se reúne expressamente e revisam a situação em que se encontram, os problemas que surgem e as possíveis soluções, intercambiam também sobre seus ideais, propósitos, etc. b) Outro seguro pode ser: Pedir perdão cada vez que ocorre uma dificuldade e, principalmente, não dormir sem haver pedido perdão. c) Outra possibilidade é passar cada certo tempo alguns dias fora de casa, os dois sozinhos, ou pelo menos, fazer junto algo que lhes agrade, p. ex, comer fora. Com isso se trata de descobrir as coisas que nos acercam mutuamente. Porque a rotina constante faz que os ânimos se alterem, que as pilhas se descarreguem, e ao final se produzem curto circuitos e até sérios incêndios. Ajuda de Deus. Por meio do sacramento, Deus não é só o terceiro, se não que é também o Deus presente no cônjuge. Então, ao mirar-nos temos que ver Deus no outro. E ao amar-nos temos que amar a Deus no cônjuge. Daí o significado das palavras de Saint Exupéry: “Amar não é mirar-se mutuamente, se não mirar juntos na mesma direção”. Traduzido para nós: amar é mirar juntos ao mesmo Deus transparente no outro. 2. Comunidade de amor paternal-maternal Como pais e mães nossa tarefa mais importante é a de ser educadores. Nós somos os que, definitivamente, educamos nossos filhos. Todos os demais organismos se bem são importantes, são complementares: o colégio, a Igreja, os parentes. E se quisermos ser bons educadores, temos que começar com nós mesmos. Diz o Padre Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt: "Não há nada que interfira tão profundamente na educação como o educador educado. Na medida em que nos esforcemos vigorosamente por realizar em nós mesmos as exigências que nos colocamos partirá de nós uma influência misteriosa, uma força misteriosa.”. Isto nos ajudará a assegurar a vida interior de nossos filhos, de orientá-la e servi-la. Ajudar-nos-á a preocupar-nos permanentemente por eles e prepará-los para sua tarefa de vida. Perguntas para a reflexão 1. Fazemos alguma atividade juntos, como matrimônio? 2. é fácil pedir perdão quando erro? 3. Nossos diálogos costumam terminar em brigas? A família parece com um sistema vivo? Por: Ricardo Romeo Ramírez S. (psicólogo) Na escola, nos ensinaram que todos os seres vivos têm um ciclo de vida que consiste em nascer, crescer, reproduzir-se e morrer. A mesma coisa acontece tanto com uma ameba, como com um elefante, tanto com uma flor como com um escaravelho. é um processo natural, que permite o desenvolvimento e perpetua a espécie. Um entomólogo se interessará em conhecer o ciclo de vida das diferentes espécies de insetos; um biólogo marinho fará o mesmo com as espécies que vivem nos mares; um botânico tratará de conhecer como acontece o nascimento, crescimento, reprodução e morte das diferentes espécies de plantas. Graças a este ciclo vital, a esta seqüência de vida, é que cada organismo permanece neste mundo. Depende do que tenha acontecido nas fases prévias, do estado que tiverem as coisas no futuro. Do ponto de vista do dr. Lauro Estrada, a família também pode ser considerada como um sistema vivo – de fato, em muitos lugares, é denominada “célula da sociedade” – e poderíamos dizer que passa pelas mesmas fases pelas quais um organismo atravessa. Neste caso, tal ciclo abrange as seguintes seis fases: 1. O desapego 2. O encontro 3. A decisão de ter filhos e a chegada dos mesmos 4. A adolescência dos filhos 5. O reencontro do casal 6. A velhice Em cada uma destas etapas, o núcleo familiar sofre modificações e deve se adaptar a elas e, do mesmo jeito que qualquer outro organismo, pode fazê-lo de forma sadia ou patológica. Assim, é de grande importância conhecer detalhadamente as características de cada uma destas fases e adquirir plena consciência das possibilidades de melhoramento das condições internas do sistema familiar. Cada um de nós pode pertencer a duas distintas famílias: a família de origem e a família que formamos com nossa(o) esposa(o) e filhos. Cada uma delas teria de passar pelas seis etapas mencionadas anteriormente. A pergunta é: “Até que ponto conhecemos este ciclo vital?”. Assim como o entomologista, o biólogo marinho ou o botânico, deveríamos nos preocupar com conhecer como nasce uma família, o que precisa para crescer sadia e forte, como evitar que murche antes de dar frutos ou, uma vez que tenha dado, que suas raízes permaneçam unidas e robustas. Existem muitos fatores que influenciam no ciclo vital de uma família. Por exemplo: por que escolhemos como parceiro(a) determinada pessoa?. Por que às vezes nos custa tanto trabalho o desapego de nossa família de origem?. O que reaviva em nós a adolescência de nossos filhos?. Quando os filhos começam a formar suas próprias famílias, como isto repercute nos pais que, pouco a pouco, vão ficando sozinhos, com o “ninho vazio”?. Poderíamos encher várias páginas com perguntas e, mesmo assim, muitas ficariam de fora. Por agora, somente gostaria de semear nos leitores a imagem mental desta família como algo parecido a um organismo vivo, que nasce, cresce, se reproduz e “morre”(?). Por que a família? Por: Tomás Melendo* Sem família não se pode ser pessoa, ou pelo menos uma pessoa completa, plenamente feita. é a família que nos humaniza e é nela que realizamos o ato mais fundamental da nossa condição: a entrega. • PARA AMAR MAIS..., SER MELHOR Há alguns meses dei uma conferência para um grupo bastante seleto de empresários: um grupo bem internacional... e bem atípico. Tão atípico que me pediram – na qualidade de empresários: o único fator que os unia – que lhes falasse do amor conjugal. Quando terminei, um mexicano começou a dizer umas coisas que eu não sabia se eram perguntas ou reflexões em público: – Se não entendi mal, a qualidade do amor entre os esposos não se decide somente dentro do matrimônio. Quem queira amar de verdade tem de esforçar-se por melhorar em toda a vida. Um sexto sentido fez-me conter a vontade de responder e fiquei em silêncio. E ele de fato prosseguiu: – Só através da minha melhora pessoal poderei amar mais a minha mulher, pois terei muito mais para dar-lhe cada vez que me entregue a ela. Resisti de novo à tentação de intervir. Ele acrescentou: – Além disso, pressinto que estarei desperdiçando esse auto-aperfeiçoamento se eu não o encaminhar para a entrega. E parece-me que isso constitui um claro dever: quanto mais eu melhorar, mais obrigado estarei a dar-me à minha mulher e aos meus filhos. O silêncio tornou-se mais denso, talvez porque nem ele nem os outros que estavam ouvindo – todos dedicados de corpo e alma aos negócios – se atreviam a tirar a conclusão inevitável. Mas por fim ele a tirou: – Isso significa, portanto, que a minha realização mais verdadeira e mais radical, não vou encontrá-la na empresa, mas na minha família. • UM INVESTIMENTO DEFINITIVO Aquele era um homem audaz e, além disso, agudo. Sabia o que estava pondo em jogo, e sabia do que estava falando: da necessidade de modificar profundamente o modo de entender e de viver as relações entre a família e a pessoa (e, conseqüentemente, muitas outras relações, como as propriamente empresariais). Durante muito tempo, a necessidade da família foi explicada – embora não exclusivamente – enfatizando a múltipla e clara precariedade do homem no que diz respeito à sua sobrevivência. Dizia-se que os instintos permitem que os animais sejam independentes desde muito cedo, enquanto uma criança humana morre inevitavelmente quando abandonada aos seus próprios recursos. Aduziam-se também razões psicológicas, como a ineludível conveniência de evitar a solidão e de distribuir as funções em casa, no trabalho ou nos âmbitos do saber, garantindo uma eficácia maior... Tudo isso parece-me certo, mas penso que não atinge o núcleo da questão. Se desde a Antigüidade o homem foi considerado como o que há de mais perfeito na Natureza (perfectissimum in tota natura) e se hoje é difícil falar do ser humano sem ressaltar a sua dignidade e a sua grandeza, não é estranho que os animais não precisem de família, mas que ela seja imprescindível ao homem justamente (ou somente ou principalmente) em função da sua fragilidade em comparação com eles? A mudança radical de perspectiva que proponho com estas linhas é que toda pessoa precisa de uma família, justamente em virtude da sua eminência ou valia: daquilo que em termos metafísicos poderia ser chamado de sua abundância de ser. • UM SER-PARA-O-AMOR é por isso que a pessoa está chamada a entregar-se. é por isso que a pessoa pode ser definida como princípio (e termo) do amor..., sendo a entrega o ato com que esse amor culmina. As plantas e os animais, pela sua própria escassez de “ser”, agem quase exclusivamente para garantir a sua própria sobrevivência e a da sua espécie. Porque possuem pouco ser – poderíamos dizer –, têm que dirigir toda a sua atividade para conservá-lo e protegê-lo: fecham-se em si mesmos ou na espécie que lhes é própria. A pessoa, pelo contrário, “tem ser de sobra”, justamente por causa da nobreza que a sua condição implica. Daí que a sua operação mais própria, precisamente enquanto pessoa, consista em entregar-se, em amar. (E é por isso que só quando ama a sério e se entrega sem medida – “a medida do amor é amar sem medida” – alcança a felicidade.) • A PESSOA COMO DáDIVA Nisto o meu amigo mexicano tinha razão. E também em unir essa exigência de entrega com a família. Porque, para que alguém possa dar-se, é preciso que haja uma outra realidade capaz de recebê-lo e disposta a isso, ou melhor, disposta a aceitá-lo livremente. Tal aceitação só pode ser a aceitação de outro “alguém”, de outra pessoa. Costumo explicar que a grandeza da nossa condição de pessoas é de tal ordem – apesar da consciência que às vezes temos da nossa pequenez e da ruindade de alguns dos nossos pensamentos e ações – que nenhuma dádiva é suficientemente digna de nós..., exceto outra pessoa. Qualquer outra realidade, mesmo o trabalho ou a obra de arte mais excelsa, acaba por ser insuficiente para acolher a sublimidade ligada à condição pessoal: não pode ser o “veículo” da minha pessoa e nem tampouco está à altura daquela pessoa a quem pretendo entregar-me. Daí que a dádiva, independentemente de qualquer valor material que possa ter, só consiga cumprir o seu papel na medida em que me comprometo – me “integro” – nela. (“Presente, dom, entrega? / Símbolo puro, sinal / de que eu me quero dar”, escreveu magistralmente Salinas) (1). -------------------------------------------------------------- (1) ¿Regalo, don, entrega? / Símbolo puro, signo / de que me quiero dar. Pedro Salinas (1892-1951), poeta, tradutor, dramaturgo e professor universitário espanhol. A poesia de Salinas é marcada por um ardente desejo de comunhão, tanto entre as pessoas como entre o corpo e a alma de cada indivíduo. Publicou diversas obras, entre as quais Presagios (1923; poesia), La voz a ti debida (1933; poesia) e o volume de ensaios El defensor (1948). -------------------------------------------------------------- Mas eu dizia que além de ser capaz, a outra pessoa tem de estar disposta a acolher-me de maneira incondicional: do contrário, a minha entrega não passaria de mera ilusão, de uma espécie de aborto. Se não há aceitação, é impossível que eu me entregue, por mais que me empenhe (actio est in passo, poder-se-ia afirmar, glosando Aristóteles: o ato de entrega “é” – cumpre-se, atualiza-se – na medida em que o outro me aceita com gosto). • O PORQUê DA FAMíLIA Pois bem, o âmbito natural em que o ser humano é acolhido sem reservas, pelo mero fato de ser pessoa, é justamente a família. Em qualquer outra instituição (numa empresa, por exemplo), é legítimo e às vezes até necessário avaliar se tenho determinadas qualidades ou aptidões, e o fato de eu eventualmente ser rejeitado por carecer delas não afeta de modo algum a minha dignidade (o igualitarismo que hoje alguns tentam impor a fim de “evitar a discriminação” é radicalmente injusto nesse ponto). Mas uma família genuína, pelo contrário, quando aceita cada um dos seus membros levando em conta a sua condição de pessoas – da mesma forma que as outras instituições o fazem (daí o famoso preceito kantiano de “tratar sempre o outro como pessoa”) –, não acrescenta mais nada: o fato de serem pessoas já é o bastante. Ao acolher assim os seus membros, permite que se entreguem e se desenvolvam como pessoas. Por isso pode-se afirmar que, sem família, não se pode ser pessoa, ou pelo menos uma pessoa completa, plenamente feita. E isso, segundo o que acabo de sugerir, não se deve primariamente a nenhuma carência, mas ao contrário: deve-se ao nosso próprio excesso, que nos “obriga” à entrega de nós mesmos, sob pena de ficarmos frustrados por não termos conseguido levar a cabo o que a nossa natureza e o nosso ser exigem. Penso que essa inversão de perspectiva (que não nega a verdade do ponto de vista complementar) tem muitas implicações e conseqüências. No âmbito doméstico, por exemplo, explica por que a família não é uma instituição “inventada” para socorro dos fracos e dos desvalidos (crianças, doentes, anciãos). Muito pelo contrário: quanto mais perfeição um ser humano alcança, quanto mais maduro é um pai ou uma mãe, mais precisa da família, justamente para crescer como pessoa, dando-se e sendo aceito, amando..., e além disso com a guarda baixa, sem ter de “demonstrar” nada para ser querido. • UMA BOA TEORIA... PARA UMA VIDA BOA Por outro lado, essa forma de compreender a pessoa repercute no modo de legislar, na política, no trabalho... Só tendo em conta a grandeza impressionante do ser humano é que se poderão estabelecer as condições que lhe permitam um desenvolvimento adequado e a felicidade. é freqüente ouvir que o problema do homem de hoje é o seu orgulho de querer ser como Deus. Não o nego. Mas penso que é mais profunda a afirmação oposta: a grande deficiência do homem contemporâneo é a sua falta de consciência da própria valia, que o leva a desprezar-se a si mesmo e a tratar os outros de maneira absurdamente infra-humana. Schelling afirmava que “o homem torna-se maior na medida em que se conhece a si mesmo e conhece a sua própria força”. E acrescentava: “Dai ao homem a consciência do que efetivamente ele é, e imediatamente aprenderá a ser o que deve; respeitai-o teoricamente, e o respeito prático será uma conseqüência imediata”. E concluía: “O homem deve ser bom teoricamente, para que possa sê-lo também na prática”. Exageros de um jovem escritor? Penso que não, se entendermos de modo adequado que esse conhecer não é simplesmente saber, mas algo que só se sabe quando se torna vida da própria vida. Como queria Aristóteles, a teoria – encaminhada para o amor! – tem uma prioridade absoluta nos assuntos estritamente humanos. • “MINI-PESSOAS” QUE NãO CONHECEM NEM AMAM O modelo de homem que preside a boa parte das Constituições dos países “desenvolvidos” acaba por ser o de uma espécie de mini-homem, pessoa reduzida, quase deformada. Quero dizer que, com uma freqüência maior do que o desejável, são negados ao homem de hoje – na teoria e na vida: na legislação e na estrutura social – justamente aquelas características que definem a grandeza da sua humanidade, como, por exemplo, a sua capacidade de conhecer, que apesar de imperfeita é real. Deste ponto de vista, uma estruturação jurídica autêntica deveria ter como base, além do reconhecimento da limitação do entendimento humano, a convicção ainda mais forte de que a realidade é cognoscível. Por isso, deveria estar baseada no autêntico diálogo entre cidadãos que estariam convencidos de que a soma das contribuições de muitos podem chegar a descobrir o que cada realidade efetivamente é, e portanto qual o comportamento que ela exige. Pelo contrário, muitos dos atuais regimes políticos parecem estar baseados num relativismo cético, na convicção quase contraditória de que a realidade não pode ser conhecida, no recurso à mera maioria e, junto a ela (enquanto não se corrija essa visão, que pode e deve ser corrigida), no mais tirânico e sutil dos totalitarismos. Mais exemplos disto que acabo de qualificar como modelo “quase-institucional” de mini-pessoa? Para alguns, é quase inconcebível que o homem atual possa amar de verdade, com um compromisso para toda a vida, arriscando em uma só cartada, como disse Gregório Marañon, o porvir do próprio coração (daí a multiplicação das leis que admitem o divórcio, impedindo que alguém se case para a vida toda). Também não se admite que alguém possa dar um sentido à dor, não por masoquismo, mas porque o sofrimento é parte integrante da vida do Homem. Além disso, quando se procura afastá-lo visceral e obsessivamente, suprime-se juntamente com ele a própria vida humana, cujo núcleo mais nobre consiste na sua capacidade de amar... Nesta vida, o sofrimento é parte inseparável do amor: quem negue a qualquer custo o “direito” de padecer, invalida simultaneamente a possibilidade de amar de verdade. No fim das contas, se nos limitarmos ao modelo subjacente a muitas das Constituições ocidentais, o homem de hoje estará entorpecido no uso dos seus atributos mais característicos e enobrecedores: (1) conhecer a verdade e (2) amar e fazer o bem, com tudo aquilo que cada um desses aspectos (e a conjunção de ambos) traz consigo. CONCLUSãO O que acabo de apontar reforça três das minhas mais arraigadas convicções: – A primeira, uma fé absoluta no ser humano, na sua capacidade de retificar o rumo e de superar-se a si mesmo. Não se deve confundir diagnóstico com terapia. Do mesmo modo que a Filosofia, um diagnóstico não deve ser nunca otimista nem pessimista; não deve ser nem interessante nem desprezível; nem lucrativo nem descartável: deve simplesmente ser verdadeiro ou falso. Quanto mal não faria o “otimismo” de diagnosticar como sendo uma simples dor de cabeça o que na verdade é um tumor cerebral maligno! – Em segundo lugar, que o homem atual tem de dar-se conta de como é grande é a sua dignidade, a fim de poder agir de acordo com ela... e alcançar a própria perfeição e a alegria que dela decorre. – Por fim, que o “lugar natural” para “aprender a ser pessoa” – o único verdadeiramente imprescindível e suficiente – é a família. Não só para a criança, mas também para o adolescente que parece negá-la, para o jovem que tem diante de si um deslumbrante leque de possibilidades, para o adulto na plenitude das suas faculdades, para o ancião que parece declinar... Todos eles forjam e revitalizam a sua índole pessoal, dia após dia, no seio do seu lar. E assim, temperados e reconstituídos, são capazes de converter o mundo, de humanizá-lo. Por isso a família. Desafios da família no século XXI Por: Tomás Melendo* Os trágicos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, para além dos horrores que todos lamentamos, têm, forçosamente, de conduzir a algumas conseqüências positivas. Assinalo apenas duas, intimamente relacionadas: por um lado, muita gente de boa vontade, milhões de pessoas, sentiram-se interpeladas no mais íntimo do seu ser e interrogaram-se sobre o que podem fazer, individualmente, para pôr fim a uma situação que, infelizmente, está a revelar o seu rosto mais sombrio. Por outro lado, e sobretudo, talvez mais ainda à medida que o tempo passa, para muitas dessas pessoas, é cada vez mais claro que os “recursos institucionais” (política, organismos públicos de alcance nacional ou internacional, etc) se têm demonstrado insuficientes para solucionar um problema que requer, antes de mais nada e de modo cada vez mais urgente, uma autêntica conversão dos corações: de cada um e de todos. Por onde começar? Pela própria família. E como? • UMA MUDANçA DE ATITUDE PESSOAL Sabemos que todos os problemas educativos são sempre, em última instância, questāo de falta de “bom amor”, e assim é relativamente claro o modo como temos de procurar comportar-nos para resolver as situaçōes menos favoráveis que possam surgir no lar. Temos sempre de olhar, antes de mais, para nós mesmos, para cada um, para melhorar a nossa atitude e as nossas disposiçōes e a qualidade do nosso querer: A resoluçāo de qualquer dificuldade que afete uma família encontra normalmente o seu ponto de partida e o seu motor insubstituível numa mudança estritamente pessoal -minha- que produza, como conseqüência, uma elevaçāo do amor recíproco... acima de tudo entre os cônjuges, pois de uma boa sintonia na vida matrimonial depende o desenvolvimento de todos e de cada um dos membros da família. Recordemos, entāo, que a essência do matrimônio é o amor e que o momento decisivo de todo o amor é a entrega que se configura de uma maneiro muito particular e intensa entre os esposos, pois ambos se dāo e recebem na sua própria pessoa totalmente, sem reservas: cada um se oferece a si mesmo sem condiçōes à pessoa amada, ao mesmo tempo que a acolhe também sem reservas. Deste modo, a chave do êxito da convivência matrimonial consiste em nos libertarmos dos laços que nos atam ao próprio “eu”-os nossos caprichos, os nossos critérios, o nosso afā de nos impormos e de termos razāo- de modo que se torne viável uma entrega cada vez mais intensa ao nosso cônjuge, para que nos possamos dar verdadeiramente e, simultaneamente, irmo-nos desprendendo e esvaziando de nós próprios para dar espaço ao outro no nosso interior, e poder acolhê-lo sem restriçōes. Como fazê-lo? Lutando por melhorar a nossa própria conduta e aprendendo a perdoar e a pedir perdāo. • TRêS AVISOS Prestemos atençāo a estas três sensatas anotaçōes de Ugo Borghello: “Perante qualquer dificuldade na vida de relaçāo, todos deveriam saber que existe uma única instância com o dever de atuar para que a situaçāo melhore: as próprias pessoas envolvidas na relaçāo. Isto é sempre possível mas, normalmente, pretende-se que seja o outro cônjuge a mudar, o que quase nunca se consegue”. “é decisivo ter uma vontade radical de entrega de si ao outro. Muitas vezes, os cônjuges dedicam-se a julgar e medir o amor do outro, a doaçāo do outro, descuidando assim da doação incondicional de si próprios. O dom de si só pode exigir-se a si mesmo, enquanto que o dom do outro nāo se consegue pela exigência, mas criando um clima de doaçāo. Como repetia São João da Cruz: “onde nāo há amor, pōe amor e encontrarás amor”: o amor atrai o amor. “é inútil e contraproducente pretender, seja interiormente ou por manifestaçōes verbais, que o outro ou a outra mude, do modo como eu o digo e porque eu lho digo. é preciso favorecer e contribuir para a melhora, mas sem a “pretender” e, muito menos, exigir. é preciso valorizar tudo aquilo que acontece no outro ou na outra e nāo basta amar e ter carinho; é preciso que o outro se sinta amado e estimado. Pode se afirmar, sem medo de errar, que muitas familias fracassam porque, devido muitas vezes, a um orgulho semiconsciente, cada um está convencido de que é o outro que deve mudar, ou pelo menos que deve ser o primeiro a fazê-lo”. Daqui resulta um princípio muito claro, que o próprio Borghello enuncia assim: “Se queres mudar o teu cônjuge, muda tu primeiro, em alguma coisa”. E explica: “Existe sempre alguma coisa no tom de voz, no modo de recriminar, de apresentar um problema, que eu posso melhorar. Normalmente, basta que eu o faça para que a outra pessoa também mude”. Se assim não acontecer após alguns dias de mudança efetiva da minha parte, é conveniente falar: reconhecer os próprios erros passados, fazer notar que, desde há algum tempo a esta parte tem havido alguns progressos e, logo de seguida, pedir ao cônjuge uma pequena transformaçāo que torne mais fácil amá-lo com os seus defeitos. A partir daqui, se o outro está de acordo, o mais importante está ganho. Sem dúvida, seria exagerado pretender que, a partir desse momento, nāo se caia mais no defeito admitido. Basta que lute. O importante, na arte do diálogo, é que cada um reconheça defeitos os próprios, sem necessidade de se encarniçar nos do outro. Quem nunca tiver tentado modificar o seu próprio modo de atuar para ajudar os outros a fazê-lo, basta que procure fazê-lo e notará, de imediato, uma melhoria perceptível e, nalguns casos, assombrosa. • O PERDĀO COMOVE AS ENTRANHAS DO MUNDO Suponhamos uma família numerosa reunida no fim do dia, à volta da mesa, para jantar. A conversa corre, como de costume, entre os episódios do dia, recordaçōes, projetos de cada um... E, também como de costume, entrecortada por alguma discussão, sobretudo entre as crianças. Mas essa noite, por qualquer razāo, o pai está tenso e, perante a disputa dos pequenos, não sabe reagir, como das outras vezes, com uma piada discreta que tire importância ao assunto, distenda de novo o ambiente e dê por terminada a questāo. Pelo contrário, eleva o tom de voz, recrimina os revoltosos e sufoca o agradável clima do jantar em comum... A māe, delicadamente, entra em cena, mas não consegue restabelecer a harmonia e o bom humor. Quem mais sofre com tudo isso é logicamente o pai. Talvez se desculpe perante os filhos reconciliados... mas nem por isso recupera completamente a paz. E chega a hora de deitar-se. é o momento decisivo e, na calma sossegada do leito, procura desculpar-se perante a esposa... Mas esta nem o deixa falar: um beijo transbordante de compreensāo e ternura fecha a boca arrependida e um abraço mais eloquente que qualquer palavra encerra para sempre o assunto. Que sentimentos se cruzam no marido? Os de uma profunda gratidāo apaixonada, muito superior à dos dias que passam sem desavenças. Na verdade, como comenta com muita acuidade Marta Brancatisano, num dos livros mais atraentes que se escreveram sobre o casamento, “ser amados quando somos os heróis ou os primeiros da aula, nem sequer nos dá muita satisfaçāo; mas ser amados quando somos e nos comportamos como uns vermes... ah! isso sim, é qualquer coisa que comove as entranhas do mundo, que provoca um espanto capaz de dar nova vida a quem recebe um amor assim”. Uma nova vida que facilita imenso a mudança pessoal, a melhoria decisiva..., capaz de resolver todas as contrariedades da vida em família. Em resumo, o maior desafio e a condiçāo irrenunciável da felicidade numa família está em convencer-se de que a chave para superar 99% dos problemas que surgem no lar consiste em empenhar-se pessoalmente – cada um! – em incrementar a categoria do seu próprio amor, esquecendo-se de si e pondo em surdina os seus “direitos”. Isto vale tanto para o que se refere ao casal, como para as relaçōes com os filhos e dos irmāos entre si. Lutando por modificar a nossa conduta, tornando mais pura e eficaz a nossa entrega, enriquecer-se-á, primeiro que tudo, a vida conjugal e, através dela, a do conjunto da família... e, a longo prazo, a da humanidade inteira. • PARA TRANSFORMAR O MUNDO No contexto dos desafios que se colocam à família, Joāo Paulo II, quase no início do seu pontificado, em 1979, fixava este principio esclarecedor e inquestionável: “Tal a família, tal a naçāo, porque tal é o homem”. Actualmente, o alcance desta afirmaçāo cresceu. De fato, daquilo que cada um de nós faça no seio do seu próprio lar depende, nāo só a boa saúde da nossa família e dos nossos respectivos países, mas, em virtude das profundas transformaçóes ocorridas nas últimas décadas (a famosa globalização), o bem-estar da humanidade no seu conjunto. Por isso, temos de persuadir-nos de que cada qual enobrecer o seu amor é aquilo que assume uma importância maior e incomparável, e tem a longo prazo, no seio de cada casal, uma eficácia insuspeitada... para o aperfeiçoamento das relações entre todos os homens. Neste sentido, sāo quase proféticas e extremamente eficazes as convicções que o mesmo Joāo Paulo II manifestou no último jubileu das famílias, em 15 de Outubro de 2000: “Ao ser humano, nāo bastam as relações simplesmente funcionais. São necessárias relações interpessoais, cheias de interioridade, gratuidade e espírito de oblaçāo. Entre estas, é fundamental a que se realiza na família, não só nas relações entre os esposos, mas também entre eles e os seus filhos”. E acrescentou a seguir, com o vigor a que nos habituou e como que para explicitar o sentido mais profundo das suas palavras: “Toda a grande rede das relações humanas nasce e regenera-se continuamente a partir da relação na qual um homem e uma mulher se reconhecem feitos uma para o outro e decidem unir as suas vidas num único projeto de vida”. Tudo isso depende do crescimento do amor conjugal: “de um homem e de uma mulher”, de tudo o que cada um dos esposos faça através do seu carinho. Mas, infelizmente, nos nossos dias, o casamento nāo goza da boa saúde que seria de desejar. Considero, por isso, que a nossa principal missāo neste início de milénio consiste em divulgar a conhecida exortaçāo do Papa na encíclica Familiaris Consortio: “Família, torna-te naquilo que és!”. Para além de a divulgar, devemos traduzi-la em outra mais concreta e exigente, dirigida de maneira imperiosa a cada cônjuge: torna-te naquilo que és! E procura, mediante uma purificaçāo do teu amor pessoal, fazer do teu casamento o que, pela sua natureza, está chamado a ser. Eis a forma mais rápida e eficaz (e a mais acessível) de contribuir para a felicidade de todos os homens. * Catedrático de Filosofía (Metafísica), Diretor dos Estudios Universitarios sobre la Familia da Universidade de Málaga, Espanha. Como sobreviver a meu filho adolescente, e não morrer na tentativa? Por: Bertha Parra Lemus (psicologa) A adolescência é uma das etapas mais ambivalentes e vulneráveis no desenvolvimento do ser humano. Trata-se da época na que cada pessoa se supõe do que decidirá que é o que quer fazer e a que se quer dedicar o resto de sua vida. Mas não só isso, senão que também deve encontrar sua verdadeira identidade (a identidade do eu) e um sentido a sua existência. Esta é uma tarefa sumamente difícil, pois além da revolução interna que vive o adolescente, estão as circunstâncias externas, isto é, o contexto social, econômico, político, etc. em que se desembrulha. Tudo isto pode ver-se agravado pela falta de entendimento dos pais para este ser que está na busca de sua identidade e seu espaço neste mundo. O como se manifestem as mudanças adolescênciales dependerá em grande parte do contexto sócio-cultural no que esteja imerso o adolescente, além da educação que recebeu durante a meninice e o manejo que os pais tenham feito desta. Este último ponto é muito importante pois, se tivemos um menino rebelde e sem direção, não podemos esperar que ao chegar a adolescência se tranqüilize, pelo contrário, este adolescente agora estará muito mas vulnerável e susceptível a cair em condutas que danem sua integridade. E pelo contrário, se os pais foram respeitosos com o menino e o educaram num ambiente de amor e entendimento, teremos por conseqüência um adolescente menos desubicado do que o resto. Falar de adolescência é falar de crise. Carvajal (1993), explica-nos as três principais crises do adolescente: crise de identidade, crise de autoridade e crise sexual. A vida do adolescente vai girar em torno destas três crises. As quais se irão manifestando de forma diferente, dependendo do tipo de adolescência que presente, e da etapa de adolescência na que se encontre. As emoções nunca são vividas tão intensamente como na adolescência, tudo se sente em macro: a tristeza, a alegria, a preocupação pela vida, o agastamento, o medo, etc. A adolescência dos filhos remete aos pais a sua própria adolescência, esta em muitos casos se recorda como uma etapa tormentosa na vida e é por isso que existe a tendência a sepultá-la no esquecimento com tudo e as recordações tanto positivos como negativos. Isto é, o “pacote completo” se vai ao inconsciente e não queremos recordá-lo mais. Quando os filhos atingem a idade adolescente, o primeiro que se pensa é: “oh, não! Já começamos a idade da apunhalada!”. No entanto o que sucede é que aos pais muitas vezes se lhes esqueceu que eles também tiveram que passar por aí para chegar a onde estão. Isto ademais se vê agravado pela situação dos pais que geralmente se encontram na crise da metade da vida, e de repente se questionam as mesmas coisas que um adolescente só que já não contam com o mesmo tempo que o filho, isto é já não têm “toda uma vida por diante”, isto pode provocar sensações de ciúmes e inveja nos pais com respeito a seus filhos (ainda que muitas vezes nos recusamos a admití-lo) que se encontram na plenitude de sua vida. O processo adolescente implica o elaborar uma série de duelos entre os quais temos o duelo pelos pais da infância, pela perda do corpo infantil e os privilégios de ser menino. é muito importante que os pais estejam conscientes destes duelos ou dores do adolescente e não se tomem de maneira pessoal suas ações de rebeldia, pois se pode chegar a entrar a uma batalha interminável na que ambos (pais e filhos) terminarão perdendo, no entanto o mais prejudicado sempre será o adolescente já que intervém, sua integridade como pessoa bem como a identidade que possa chegar a consolidar nesta etapa da vida. Todos os adolescentes são “rebeldes”, todos os adolescentes são “irrespetuosos”, todos os adolescentes desafiam à autoridade e tratarão a toda costa de impor sua vontade e sua forma de pensar. Todas estas reações são o resultado de uma busca interna pela própria identidade, separada dos pais e de qualquer outra figura de autoridade que tenha sido imposta como tal. Por outro lado, o adolescente também não é tonto, procurará secretamente certas figuras “ideais” para poder realizar este processo identifictorio.Como pais de um filho adolescente, é importante que confiem em si mesmos, isto é, que possam estar seguros de que a educação, valores e princípios que lhe foram inculcados até o momento, foi o adequado. Desta maneira o adolescente estará protegido contra as adversidades do mundo externo e será mais difícil que caia em condutas autodestructivas. Esta segurança nos pais lhes dará mais tranqüilidade a ambos, pois sentirão que estão pisando um terreno firme e não pantanoso, serão mas livres pois poderão fazer uso de sua liberdade com responsabilidade.Como ponto final, é essencial recordar que agora é o tempo do adolescente, os pais já tiveram seu tempo, agora toca a estes fazer-lhe o caminho mais fácil ao filho, com apoio e entendimento mas sobretudo com amor. Isto último marcará a diferença entre uma adolescência feliz ou infeliz. Ficam muitas idéias e aspectos que tratar sobre a adolescência no tinteiro, mas as reservaremos para outra ocasião, pelo cedo esperemos que esta pequena reflexão tenha sido de utilidade. A importância da auto-estima nas crianças Por: Gabriela Córdova Olguín (psicóloga) Uma das necessidades básicas do ser humano é sentir-se bem consigo mesmo. A maneira como uma pessoa se sente bem é fixada desde a infância e se chama AUTO-ESTIMA. Para chegar à satisfação pessoal e a desfrutar a vida, é preciso contar com uma auto-estima, isto somente será possível se a pessoa se aceitar com as falhas e os defeitos que possa ter. O maior presente que um pai pode dar a um filho é ajudá-lo a ter uma alta auto-estima, desta maneira, estará ajudando-o a ter confiança no que pode fazer, a estar entusiasmado por aprender coisas novas todos os dias, a ter uma vida social aceitável e satisfatória e, sobretudo, a poder desfrutar aquilo que faz. Ao contrário, quando a auto-estima for baixa, a criança não conseguirá se desenvolver adequadamente em nenhum ambiente, não será capaz de desfrutar suas atividades e começará a ter um sentimento de inferioridade que, futuramente, vai procurar compensar unicamente criticando às outras pessoas. A criança com uma baixa auto-estima torna-se sensível a qualquer comentário, preocupa-se demais pelo que os outros pensam dela e perde todo o interesse naquilo que deve fazer. No transcurso de seu desenvolvimento, a criança vai tendo experiências prazenteiras e satisfatórias, e outras dolorosas e carregadas de ansiedade. A manutenção da auto-estima positiva depende da integração exitosa das imagens de si mesma, tanto positivas como negativas, isto é, de se sentir boa em alguns momentos e má em outros, mas – acima disto – poder se sentir valiosa, o que fará a criança mais ou menos impermeável aos erros, às falhas, às frustrações e à crítica externa. Como pais, devemos saber que existem certas condições que ajudam a criança a sentir-se bem: • Aceitação: este ponto é fundamental. O principal neste ponto é a aceitação da criança pelos pais, assim como ela é, com suas qualidades e defeitos. A criança vai crescendo e a sua auto-imagem vai sendo formada através do que dizem dela e de como é tratada pelas pessoas que a rodeiam. Se tratarem bem, então sentirá que vai poder ser uma pessoa valiosa; caso contrário, se disserem que é inútil, feia ou que perturba, então crescerá com a idéia de que é uma pessoa que não merece nada e que não é importante para os outros. • Respeito: esta característica tem vital importância e se associa com os valores que atualmente repercutem em nossa sociedade. Quando os adultos gritam para as crianças, zombam delas ou mandam calar a boca, dizendo que não sabem o que estão falando, os pequenos podem reagir agredindo outras crianças, discutindo, ou (ao contrário) se tornarem tímidos e ao longo da vida acharem natural que outras pessoas os tratem da mesma maneira em que foram tratados na infância. • Limites: é importante estabelecer limites para a criança, porque servem de guia para saber o que se espera dela. Assim, pode saber o que acontece se desobedece as regras e as conseqüências que isso traz, e se sentirá mais segura. Sem limites, o pequeno não tem como saber se está agindo bem ou não. A maneira em que se pede que a criança cumpra as regras é muito importante, se for com carinho e firmeza, ela reagirá com satisfação, no entanto, se for de um modo muito duro e sem carinho, tratará de não obedecer. • Apoio: cada criança deve aprender aonde quer chegar e tomar suas próprias decisões, ou seja, estabelecer metas e cumpri-las. Quando ela sabe o que quer fazer, como pode conseguir e o que falta para chegar lá, dirige todo seu esforço a esse alvo e sente muita satisfação ao atingi-lo. Isto se consegue pouco a pouco, com a ajuda dos pais, deixando que a criança escolha, por exemplo, seus artigos escolares, sua roupa, atividades e conhecimentos, gostos, etc. é diferente apoiar e superproteger, no segundo caso os pais solucionam todos os problemas da criança, falando por eles, inventando pretextos para cobrir seus defeitos, justificando seu comportamento... Assim, os pequenos ficam cada vez mais dependentes de uma pessoa que resolva seus problemas, ficando em desvantagem em relação às outras crianças porque não se desenvolvem e não encontram as próprias respostas para ir crescendo como seres humanos. Demos a nossos filhos a possibilidade de ser e se sentir bem com eles mesmos e isto contribuirá para que se valorizem e valorizem o que fazem, pensam e sentem, somente valorizando-se, poderão valorizar os outros, e tudo isto levará a um futuro com melhores desempenhos profissionais, melhores relacionamentos e divertimentos que os enriqueçam como seres humanos. Se os pais quiserem que a criança seja capaz de enfrentar os problemas com confiança, poderão ajudá-la não dizendo o que devem fazer e como podem conseguir chegar às suas metas. Cada vez que a criança atingir suas metas, se sentirá mais segura, com mais confiança, além de se tornar mais independente; isto fará com que volte a tentar novos objetivos e sua auto-estima crescerá. Meu filho seria um “teledependente”? E eu? Por: Ricardo Romeo Ramírez S. (psicólogo) A televisão pode ser uma força poderosa na vida das crianças, ou pode se transformar em uma das drogas mais nocivas. Através da TV, é possível admirar extraordinárias reportagens e documentários sobre temas variados, alguns de grande sensibilidade e conteúdo artístico, mas também seu uso indiscriminado nos pode levar a um emburrecimento, pois deixamos de utilizar faculdades tão importantes como a imaginação e o pensamento criativo, nos leva a fugir da realidade e a ver com indiferença a violência, os assassinatos e as violações, a colocar em um trono o dinheiro e sua acumulação, além de nos levar a uma pobreza intelectual, ao desânimo e à falta de entusiasmo. A televisão é inevitável. Todos a utilizamos! Quando proibimos que nossos filhos a vejam, é muito fácil que se sintam, ou os façam sentir-se, como inadaptados sociais. Por isso, é preciso que os pais saibam o que fazer com a televisão, para depois ensinar aos filhos como tirar proveito deste meio de comunicação. Se a televisão é capaz de até mesmo distorcer, dirigir e motivar o comportamento dos adultos, de condicionar suas opiniões e formas de comportamento, o que não fará (e de uma forma mais intensa) com nossos filhos, que ainda não possuem os mecanismos necessários para julgar nem para opinar. Somos nós que devemos apelar à sua grande capacidade de aprendizagem para que, pouco a pouco, vão adquirindo estas habilidades. Quase todas as crianças vêem várias horas de televisão por dia, e quando terminarem o primeiro grau, terão passado mais tempo diante da TV, do que na sala de aula. Ficar horas vendo televisão pode aumentar a tendência à obesidade, promover uma inclinação à violência e receber mensagens irreais sobre drogas, álcool, sexualidade e relações. Existem outras perguntas que podem ajudar a detectar se uma família pode ser “teledependente”. Convido-os a responder com toda sinceridade: Comem e jantam com a televisão ligada?. Algum membro da família, ao chegar da escola ou do trabalho, o primeiro que faz é ligar o televisor?. Durante os fins de semana, quanto tempo passam fora de casa e quanto tempo dentro de um quarto no qual a televisão é a principal protagonista?. Quantos televisores têm em seu lar?. As resposta a estas perguntas indicarão até que ponto você e sua família são dependentes da televisão. As seguintes sugestões para os pais, os professores, as babás, e todas aquelas pessoas que cuidam de uma ou de várias crianças, ajudarão a tirar o máximo proveito e a sofrer menos as conseqüências prejudiciais da televisão. Estabeleça limites. Observe a quantidade de horas que seus filhos passam diante da televisão e não tenha medo de reduzi-la. Recomenda-se que os pais limitem o uso da TV a 1 ou 2 horas diárias. Planeje o que vêem com antecipação. Ajude as crianças a se aproximar da televisão como se fosse do cinema, a escolher entre a ampla gama de possibilidades aquilo que mais satisfaça suas necessidades. Ligue a televisão no programa selecionado e, uma vez concluído, desligue-o e analise o programa quando terminar de vê-lo. Assista-o com seus filhos, interprete e fale sobre o programa que viram, esclareça o que não for verdadeiro, analisando as diferenças entre fazer, acreditar e a vida real. Fale com as crianças sobre a violência mostrada na TV. Descreva como a violência fere e analise como as personagens da televisão poderiam resolver seus problemas sem violência. Seja um bom modelo a imitar, porque as crianças freqüentemente seguem o exemplo de seus pais, examine seus próprios costumes de ver televisão e ajude seus filhos a formar, desde cedo, bons hábitos na vida. Não use a televisão como babá. Dê alternativas às crianças na forma de atividades fora e dentro de casa, tais como passeios, jogos, esportes, passatempos, leituras, tarefas e atividades familiares diversas. Oponha-se às propagandas. Ajude suas crianças a serem consumidores inteligentes, ensinando-lhes a reconhecer os limites da publicidade. Converse sobre a comida anunciada na TV, sobre os efeitos que ela pode produzir e sua possível pouca qualidade. Além disso, novamente, lembre-se que você é um modelo a ser imitado e se não aplicar para si mesmo estas recomendações, dificilmente seus filhos o farão. Complemente a televisão com novas tecnologias. Use um videocassete ou aparelho de DVD para assistir a programas e filmes que interessem a toda a família. Utilize fitas educativas para aumentar o aprendizado das crianças. Estas são somente algumas sugestões, mas, com certeza, você já escutou ou encontrou outras dicas que têm dado resultado positivo para você ou para seus amigos. Pais, um espelho para os filos Por: Patrícia Medina - fundadora da Obra Oblata Christus Sacerdos Ao observarmos as brincadeiras de nossos filhos, muitas vezes, vamos nos surpreender com a fiel representação daquilo que, sem perceber, costumamos fazer. Sem muito esforço, perceberemos que até a nossa maneira de falar, gesticular ou de nos comportar são fielmente reproduzidos pelas nossas crianças como se estivéssemos vendo a nossa versão em miniatura. As brincadeiras dos meninos, ferqüentemente, estão representando as responsabilidades dos pais, através de um personagem que sai para trabalhar de carro, de ônibus ou a pé. As meninas são normalmente as mães que se dedicam a manter a casa arrumada, a preparar a comida, a cuidar do bebê Em outros casos, certamente, esses personagens podem ganhar um outro ¨script¨ como uma mulher empresária, uma professora, médica, entre outros. Tudo dependendo da realidade da família da qual as crianças fazem parte e de sua fértil imaginação. Em algumas circunstâncias, os pais poderão ouvi-las repreendendo suas ¨filhinhas¨ com as mesmas palavras que comumente elas são, também, repreendidas. Que nenhum pai tenha o desprazer de assistir suas crianças esbofeteando suas bonecas! Se analisarmos um pouco, facilmente perceberemos que muitos dos nossos valores foram adquiridos por meio do testemunho de nossos pais. Ainda que não tivéssemos contemplado somente os bons exemplos, na nossa decisão infanto-juvenil, ¨intencionávamos¨ ser diferentes com nossos próprios filhos. Mais que um canal da provisão em casa, nossos pais estavam refletindo um modelo de comportamento. Hoje, temos a graça de ¨consertar¨ em nós algumas coisas que vivemos e experimentamos como filhos, para que mais uma geração não venha a sofrer as mesmas dores. Sem dúvida, mais que super-heróis, os pais são, para os filhos, os modelos mais próximos que lhes transmitirão o senso de responsabilidade, respeito, idoneidade, espiritualidade, entre outros. Acredito ser muito difícil a cobrança de um determinado comportamento, quando os pais não foram os canais para alguns desses valores. Assim como lembramos os gestos de nossos pais, lembramo-nos também dos momentos em que não seguimos, também retamente, o que nos foi ensinado. ¨Os acidentes de percurso¨ , dificuldades e algumas crises na educação de nossos filhos, nós também vamos enfrentar. A certeza que podemos acalentar é que os valores fecundados na essência de nossas crianças são irrevogáveis e, certamente, serão transmitidos para outras gerações, que seguramente, não chegaremos a contemplar. A nossa pequena família é um espelho de formação para outras e poderá ser a graça estendida até a nossa milésima geração. Deus milésima a semente de uma nova geração que começa em cada família. A importância da disciplina na adolescência Por: María Fernández García (pedagoga) Falar de disciplina na fase da adolescência pareceria algo impossível, visto que justamente nesta crise vivencial da passagem da infância à vida adulta, o jovem enfrenta um grande número de dificuldades, mudanças e adaptações que o desajustam, não ficando fora o respeito às normas e leis estabelecidas. O adolescente vive um permanente desajustamento que o impulsiona a se encontrar consigo mesmo e se reconhecer como a pessoa que é e quer chegar a ser em um futuro. A isto chamamos “procura da identidade”, que é a tarefa mais importante a ser realizada nestes anos tempestuosos. Os adultos acreditam que os jovens são rebeldes à disciplina e ao reconhecimento de limites, mas resulta ser o contrário, porque embora as manifestações externas juvenis possam ser vistas como uma resistência a respeitar as normas, em seu interior, eles precisam e pedem limites, uma vez que isto lhes oferece segurança. Saber até onde chegar, quando e como são realidades que os confundem muito e embora reajam e sintam como uma imposição, a disciplina serve para conduzir seus próprios comportamentos e reações, assim percebem que todas as ações têm conseqüências inevitáveis. A sociedade atual apresenta dois grandes problemas, entre muitos outros: um deles é que se tornou permissiva demais e, o outro, é que os adultos padecem uma espécie de pânico para enfrentar seus filhos ou alunos e exigir-lhes o cumprimento das disposições normativas familiares ou escolares. Esta tarefa, então, resulta um pouco conflituosa porque não está bem definido como lidar com ela, além disso, sempre está sendo muito questionada. Os pais não sabem quando permitir, que horários sugerir para o trabalho, para a diversão, as obrigações de casa, etc., e não existe um manual que indique o que deve ser feito em cada caso e circunstância concreta. Portanto, é preciso reconhecer que, para ter interações com os outros (família, companheiros, professores, pessoas...), devemos respeitar, primeiro, a pessoa mesma e, depois, umas regras que estão estabelecidas de maneira precisa em alguns âmbitos, além de outras que estão implícitas. Esta atitude nos dá a oportunidade de interagir com as outras pessoas, em um clima de respeito e dignidade, que tanta falta faz em nossa sociedade. As normas nos oferecem o parâmetro para saber o que pode ou não ser feito, em cada contexto, tempo e lugar. Por isso, se deixarmos claro o que esperamos do comportamento de um jovem, ele irá aprendendo que esta disciplina não é uma simples imposição, mas uma ferramenta útil para a convivência social de qualquer tipo. Se este período está caracterizado por desajustamentos físicos, cognitivos, emocionais e sociais, nada melhor do que oferecer um parâmetro de contenção para que essa insegurança se traduza em uns lineamentos que ajudem o jovem a aperfeiçoar seu comportamento e autocontrole. A disciplina é formativa, deve ser considerada como uma educação positiva e não necessariamente impositiva, mas conscientizada, reflexionada, uma vez que pretende procurar e encontrar o equilíbrio entre a desorientação existente e o possível controle dos impulsos, sempre respeitando sua independência e liberdade, na medida em que cada indivíduo consiga chegar a esta meta como um processo dirigido à auto-realização. Ajudar os adolescentes a viver esta etapa como uma aventura maravilhosa, cheia de oportunidades de mudança, faz com que se tornem jovens autênticos, seguros de si, capazes de estabelecer sua identidade de pessoas únicas e valiosas. A disciplina é mais um elemento na formação da vida das pessoas, mas é nessa fase que se redimensiona o comportamento, pela necessidade de sentir segurança e contenção, através de um sistema de normas claramente estabelecidas que garantem ao jovem uma convivência respeitosa e humana com as outras pessoas. 15 passos para educar um filho Por: Maruca Serrano de Ortega 1. Procure ser, mais do que parecer. 2. Procure que seja bom, mais do que aparente ser. 3. Procure a glória, não a fama. 4. Procure seu relacionamento, não sua autocomiseração. 5. Procure que vivam, não que sobrevivam. 6. Cuide o que vêem, com quem andam, o que decidem. 7. Dê liberdade, mas real, com limites. 8. Que procure o que tem, não que lhe digam “o que tem de mal?” 9. Cuide o que for importante, mais do que o que for urgente. 10. Entenda que informar não é o mesmo que comunicar. 11. Procure se ocupar mais do que se preocupar. 12. Seus filhos podem ter muitos amigos, mas um só pai. 13. Que seu coração esteja colocado nas coisas transcendentes. 14. Corrija antes de tudo com o exemplo. 15. Seja paciente, procure mais gozar do que sofrer com seus filhos. Educação afetiva e sexual das crianças e adolescentes Por: Miguel ángel Cárceles Deus, que é amor e vive em uma comunidade de amor, ao criar o homem à sua imagem e semelhança, deu-lhe uma vocação semelhante à sua: uma vocação ao amor. Este amor é sempre dom de si mesmo. “O homem e a mulher podem levar a cabo esse chamado, ou como pessoas individuais, ou unidos com caráter permanente em um casal que forma uma comunidade de amor. Se o fizerem individualmente, viverão a virgindade; quando estabelecem uma comunidade de amor, a vivem no casamento. Mas, em ambos os casos, é a totalidade da pessoa que faz o dom de si” (Engracia A. Jordán, La educación para el amor humano). Sendo o homem um composto de corpo e alma, sua radical vocação a amar abrange também o corpo humano, que se faz partícipe do amor espiritual. • Educação da afetividade A sexualidade não pode se reduzir a um fenômeno puramente biológico, à experiência genital, à união carnal homem-mulher. A sexualidade atinge categoria humana quando se vincula ao mistério do amor, essencial na existência do homem. Por este motivo, a educação sexual deve estar incluída no marco da educação da afetividade, isto é, na educação dos sentimentos e tendências humanas, entre as quais o amor tem um caráter primordial. O sexo, fora do contexto da espiritualidade, torna-se desumano, e o desumano é mais baixo do que o puramente animal. O sexo, isolado do mundo espiritual, do contexto global do homem, vê no outro um “objeto sexual” e não “uma pessoa amada”. Somente a união carnal, desprovida de espírito, rebaixa as pessoas à condição de coisas que só fazem sentido na medida em que produzem satisfação ou prazer. «Devido a que a vida se torna especificamente humana na medida em que se utiliza a razão (como afirma Víctor García-Hoz), a educação começa por uma ação sobre a inteligência. Surge então a conseqüência de que toda educação no âmbito sexual tem que se apoiar na formação de uma consciência clara do papel que Deus desempenha em nossa vida». Esta educação afetiva e sexual deve ser, portanto, uma educação para o amor, que oriente a cada um, segundo sua vocação específica, a virgindade ou ao matrimônio. A primeira é uma vocação ao amor, ao dom de si mesmo primeiro a Deus e nele a todos os homens. A segunda requer uma educação sadia para o amor conjugal, que é um amor de totalidade. • Atualidade e urgência «Na atual situação sociocultural, é urgente dar às crianças, aos adolescentes e aos jovens uma positiva e gradual educação afetiva e sexual, levando em conta as disposições conciliares. O silêncio não é uma norma absoluta de comportamento nesta matéria, sobretudo quando se pensa nos numerosos meios que usam uma linguagem insinuante» (S. C. para a Educação Católica.) • Orientações educativas A razão é óbvia: o tema do sexo está na rua e entra no lar através dos meios de comunicação social que, com grande freqüência, usam uma linguagem destinada somente a estimular o instinto e a provocar manifestações sexuais desconectadas do sentimento e do espírito, do dom de si, da abertura aos outros, à vida e a Deus. Esta é «uma cultura que banaliza em grande medida a sexualidade humana – afirma João Paulo II – porque a interpreta e a vive de maneira redutora e empobrecida, relacionando-a unicamente com o corpo e com o prazer egoísta» (Familiaris consortio, nº 37). Por isso, é preciso opor a verdadeira educação sexual e afetiva, centralizada no conceito cristão da sexualidade humana, a esta ação deformadora e corruptora. • Direito e dever dos pais Como toda educação, também a afetiva e sexual corresponde principalmente aos pais. A família é a primeira comunidade de amor e nela são formados os filhos no verdadeiro amor, entendido como um serviço sincero e solícito às demais pessoas. è na família onde surgem numerosas ocasiões para construir o diálogo sobre distintos temas relacionados com o sexo e a afetividade: a chegada de um novo filho, a gestação da criança no seio da mãe, o desenvolvimento sexual na puberdade, a atração dos adolescente por amigos e conhecidos do outro sexo, etc. São momentos oportunos para conversar sobre este tema. Sobre esta matéria, são José María Escrivá de Balaguer aconselha: «Que sejam os pais aqueles que explicam aos filhos a origem da vida, de um modo gradual, acomodando-se a sua mentalidade e capacidade de compreender, antecipando-se levemente à sua natural curiosidade. é preciso evitar que outros rodeiem de malícia esta matéria e evitar que os filhos aprendam algo, que é em si mesmo nobre e santo, de uma má confidência de um amigo ou de uma amiga» (Conversações, nº 100). Para este importante trabalho educativo, os pais contam com a graça de estado recebida no sacramento do Matrimônio, que “os consagra na educação propriamente cristã dos filhos (...) e os enriquece em sabedoria, conselho, fortaleza e nos outros dons do Espírito Santo, para ajudar os filhos em seu crescimento humano e cristão” (Familiaris Consortio, n.38). Existem, além disso, livros simples e apropriados, associações familiares, cursilhos de orientação familiar organizados por entidades de confiança, etc, que permitem aprofundar sobre a melhor forma de desenvolver rapidamente este tipo de orientação. Como apoiar seu filho na escola Por: Gabriela Córdova Olguín (psicóloga) Uma das preocupações mais importantes dos pais de família consiste em conseguir que seus filhos aprendam da melhor maneira possível. A escola representa uma fonte de aprendizagem acadêmica, social e emocional, dá à criança múltiplas experiências e permite que desenvolva habilidades de interação, resolução de problemas e realização de metas. Por isso, é importante que as crianças desfrutem as atividades escolares para poder aprender melhor e ter um desempenho satisfatório, adquirindo novos conceitos ou matérias importantes. A família tem um lugar importante na aprendizagem da criança porque é no lar que o pequeno obtém a segurança, o afeto e a identidade necessários para um desenvolvimento sadio e positivo. A maneira mais importante e básica para ajudar as crianças é aceitá-las, respeitá-las e ter muito carinho por elas, com isso estamos favorecendo o desenvolvimento sadio de sua personalidade, o que as ajudará a enfrentar os desafios que diariamente encontram na escola. é importante, hoje em dia, que as crianças estabeleçam uma rotina de estudo e que disponham de tranqüilidade e tempo suficiente para fazer as tarefas escolares. Freqüentemente, este tema representa uma dificuldade para os pais, já que se torna um motivo de luta e não de comunicação. Para começar, é preciso escolher o horário para que os pais de família tenham tempo para apoiar e supervisar o que a criança faz e, por sua vez, a criança tenha a disposição de estudar sem nenhuma interferência. Em certas ocasiões, por falta de tempo e de disposição para atender a criança, os pais fazem a tarefa escolar. O essencial é que ela adquira o costume e a responsabilidade de cumprir com suas obrigações e, se os pais estiverem interessados no que a criança estiver fazendo, ela se sentirá incentivada a trabalhar e, sobretudo, ficará motivada quando acompanhada pelos pais que a animam a descobrir o lado estimulante da aprendizagem. Se a criança tiver problemas inesperados ao aprender a ler, escrever, escutar, falar ou estudar matemática, então os professores e os pais podem investigar mais. é possível que a criança tenha que ser avaliada para ver se tem um problema de aprendizagem. Os problemas de aprendizagem tendem a ser diagnosticados quando as crianças chegam à idade escolar. Isto acontece porque a escola se concentra naquelas coisas que podem ser difíceis para os pequenos, como: ler, escrever, resolver problemas de matemática, escutar, falar e raciocinar. Os professores e os pais observam que a criança não está aprendendo como se esperava. Também é possível que a escola solicite uma avaliação para descobrir qual seria a causa do problema. Para prevenir este tipo de situações, é importante levar em conta o seguinte: • Elogie o seu filho quando ele fizer um bom trabalho. As crianças com dificuldades escolares podem ter uma bom rendimento em uma variedade de coisas. Verifique o que agrada a seu filho como, por exemplo, dançar, jogar futebol ou usar os computadores. • Averigúe como seu filho aprende melhor. Aprende através de experiências práticas ou observando e escutando? Ajude seu filho a aprender através de seus pontos fortes (habilidades naturais). • Deixe seu filho ajudar nas tarefas domésticas, elas podem aumentar sua confiança e habilidades concretas. Dê instruções simples, divida as tarefas em passos pequenos, recompense os esforços de seu filho(a) com elogios. • Realize atividades que motivem a pesquisa, com ir a uma biblioteca, museus ou parques. • Todos os dias leia algo interessante, escute e responda as perguntas deles, procurando conversar e respeitando seus pontos de vista. • Procure oportunidades para participar de seus jogos e brincadeiras, é uma boa oportunidade para se relacionar e conhecer seus gostos e interesses. • Não dê prêmios caros nem utilize expressões como “se você fizer o dever de casa, eu lhe dou um presente”, “faça o seu dever e levo você para passear”, porque as crianças devem estar convencidas das vantagens que representa cumprir com seus deveres, sabendo que se não o fizerem, sofrerão as conseqüências. Atualmente, temos muito trabalho para realizar e a participação dos pais é importante para reforçar tudo o que as crianças forem desenvolvendo, além disso, quando elas aprendem a aceitar que podem errar ou ter pontos fracos, se motivam para superar os desafios, contribuindo para a sua própria aprendizagem e desenvolvimento como futuros adultos. O Abuso Sexual Infantil Por: Nancy Escalante é uma realidade que muitas crianças têm sido vítimas do abuso sexual, seja dentro ou fora de seu núcleo familiar. Os pais têm a obrigação de ser conscientes desta realidade e enfrentá-la, por isso é importante estar alertas para prevenir o abuso sexual infantil, com a finalidade de proteger a integridade emocional, física e social dos filhos. é preciso entender o abuso sexual infantil como qualquer conduta sexual que se realize com um menino ou uma menina, e que inclua situações como: 1. Bolinação dos genitais da criança pelo abusador ou abusadora. 2. Bolinação de outras zonas do corpo da criança pelo abusador ou abusadora. 3. Incitação pelo abusador/a à bolinação de seus próprios genitais. 4. Penetração vaginal ou anal, ou tentativa de fazê-lo, seja com seus próprios genitais ou com outras partes do corpo (como, por exemplo: os dedos), ou com objetos (como paus), pelo abusador ou pela abusadora. 5. Exposição de material pornográfico a uma criança (por exemplo: revistas, vídeos, fotos). 6. Contato bucogenital entre o abusador/a e a criança. 7. Exibição dos órgãos genitais do abusador/a à criança. 8. Utilização da criança na elaboração de material pornográfico (exemplo: fotos, vídeos). Estas situações podem acontecer, seja em forma conjunta, só uma delas, ou várias. Podem ser realizadas em uma única ocasião, em repetidas vezes ou até mesmo em forma crônica, por muitos anos; os danos emocionais trazem graves conseqüências para o desenvolvimento integral da criança e estas conseqüências podem variar de uma criança a outra, dependendo das características pessoais de cada uma. Algumas das conseqüências emocionais do abuso podem ser as seguintes: a) Conseqüências emocionais A curto prazo: • Sentimentos de tristeza e desamparo Mudanças bruscas de estado de ânimo Irritabilidade • Rebeldia • Temores diversos • Vergonha e culpa • Ansiedade A médio prazo: • Depressão clara ou disfarçada • Transtornos ansiosos • Transtornos de sono: terrores noturnos, insônia • Transtornos alimentícios: anorexia, bulimia, obesidade • Distorção do desenvolvimento sexual • Temor à expressão sexual • Tentativas de suicídio ou idéias suicidas A longo prazo: • Disfunções sexuais • Baixa auto-estima e um pobre autoconceito • Estigmatização: sentir-se diferente das outras pessoas • Depressão • Transtornos emocionais diversos b) Conseqüências cognitivas A curto prazo • Diminuição do rendimento escolar • Dificuldades de atenção e concentração • Desmotivação pelas tarefas escolares • Desmotivação geral A médio prazo • Transtornos da aprendizagem A longo prazo • Fracasso escolar c) Conseqüências no comportamento A curto prazo • Condutas agressivas • Rejeição a figuras adultas • Insociabilidade • Hostilidade com o agressor • Temor ao agressor A médio prazo • Fugas do Lar • Deserção escolar • Ingestão de drogas e álcool • Inserção em atividades delituosas • Interesse excessivo por jogos sexuais • Masturbação compulsiva • Gravidez precoce • Doenças de Transmissão Sexual A longo prazo • Prostituição • Promiscuidade sexual • Alcoolismo • Dependência de drogas • Delinqüência • Inadaptação social • Relacionamentos familiares conflituosos Retirado de: Guía Basica de prevención del Abuso Sexual Infantil CORPORACIóN ONG PAICABí. A repetição Por: Dra. Elena Zierold Quantas vezes ouvimos dizer que não nos ensinaram a ser pais? Quantas vezes ouvimos as crianças ou os adolescentes dizerem, quando recebem uma repreensão, que eles vão ser diferentes com seus filhos? A resposta a essas perguntas é: A repetição. Quando conversamos com nossos irmãos, amigos e alunos sobre suas preferências, por exemplo, em relação a uma comida, geralmente nos falam de alimentos que estão acostumados a comer desde criança, a maioria deles estão associados a comemorações especiais e, muitas vezes, a pratos feitos pela vovó ou pela mamãe. Assim acontece com outros costumes, maneira de ser, tudo se aprende desde criança e, por isso, quando aparece uma situação fácil ou difícil pela primeira vez tendemos a reagir como tínhamos aprendido. é como se, através das gerações, as famílias seguissem os papéis de um peça de teatro, na qual cada um desempenha um papel “x”, e as gerações seguintes aprendem o papel “x” reservado para cada um, ou seja, o de papai, ou de mamãe, ou de filho, etc. Por exemplo, às vezes, como adultos, nos surpreendemos repetindo as mesmas palavras que escutamos nossa mãe dizer quando éramos pequenos e freqüentemente nem sequer percebemos que estamos repetindo. A isso me refiro com a resposta que dei às duas perguntas com as quais iniciei este texto, isto é, a repetição. Repetimos esse tipo de comportamento sem perceber, por isso quando dizemos “não nos ensinaram a ser pais” ou “vou ser diferente dos meus pais”, é somente a expressão de um desejo, mas, na verdade, somente analisando porque nos comportamos como sempre fazemos, poderemos tornar realidade nossos desejos e deixar de repetir. A importância do jogo para o desenvolvimento da criança Por: Bertha Parra Lemus (psicóloga) Se passássemos um dia completo na companhia de uma criança, nos daríamos conta que todo seu dia transcorre entre um jogo e outro. Todos sabemos que as crianças em idade pré-escolar baseiam a maior parte de suas atividades no jogo, mas, poucas vezes, refletimos sobre a importância e transcendência que ele tem para o desenvolvimento dos pequenos. Em muitas ocasiões, até mesmo escutamos as queixas dos adultos dizendo: “Passa todo o tempo brincando! Não faz outra coisa”. Pois é assim, o trabalho da criança é brincar. A criança que não brinca será um adulto que não trabalha. O jogo é para a criança o que o trabalho é para o adulto. Através dos jogos, as crianças crescem, estimulam seus sentidos, fortalecem seus músculos, coordenam o que vêem com o que fazem e aprendem a controlar seu corpo. Através dos jogos, as crianças descobrem o mundo e descobrem a si mesmas. Adquirem novas habilidades e se tornam mais competentes nos aspectos cognitivo, social, emocional, motor, físico, lingüístico, etc., isto é, o jogo contribui para o desenvolvimento de todas as áreas que estão envolvidas no desenvolvimento do menor. Alguns pesquisadores classificam o jogo das crianças em sociais e cognoscitivos. O primeiro se refere à participação e interação das crianças com outros pequenos durante o jogo, enquanto que o segundo reflete o nível de desenvolvimento mental da criança. Expliquemos então, em que consiste cada um deles, com mais detalhes. O jogo social é aquele em que as crianças interagem entre si, em diferentes graus. à medida que uma criança vai crescendo, seu jogo tende a ser mais social e cooperativo. Em um princípio, jogam sozinhos, depois o fazem ao lado de outras crianças, até que finalmente incluem as outras pessoas em seu jogo. O ambiente é um fator importante para o desenvolvimento do jogo social, isto é, se a criança passar muito tempo sozinha, tiver poucos ou não tiver irmãos, assistir a muita televisão ou contar com brinquedos mais elaborados ou complicados, tenderá a jogar ou brincar sozinha durante mais tempo, já que seu meio a terá feito mais passiva e estará menos acostumada à interação com as outras pessoas. Geralmente, as crianças que passaram mais tempo em creches ou jardins de infância jogam mais socialmente. O jogo social é considerado mais maduro do que o solitário, pois o fato da criança considerar os outros para suas atividades revela a gradual diminuição do seu egocentrismo normal. No entanto, existem jogos solitários que estão mais dirigidos ao desenvolvimento cognoscitivo do que ao social, de maneira que contribuem para o desenvolvimento da independência e da maturidade cognitiva. Com isto, não pretendemos dizer que um tipo de jogo é melhor do que outro, simplesmente tratamos de evidenciar as vantagens de cada um deles. Também é importante considerar a personalidade de cada criança, alguns pequenos gostam mais das atividades não sociais do que das atividades de grupo, e não necessariamente se trata de crianças com problemas de insegurança, auto-estima ou egocentrismo extremo. Existem crianças que são mais introvertidas que outras, desde pequenas, sem que isso implique um transtorno em seu desenvolvimento. O jogo cognoscitivo, como foi mencionado antes, é aquele que nos revela o desenvolvimento mental das crianças. Este tipo de jogo evolui à medida em que a criança avançar em seu desenvolvimento cognitivo. O pequeno progride a partir do jogo repetitivo, que consiste em movimentos musculares simples (rodar uma bola). Depois, passa ao jogo construtivo (construir uma torre de blocos), mais adiante, já pode realizar o chamado jogo simbólico (brincar de professor, de mãe, médico, etc.), para depois passar ao jogo formal com regras (dominó, damas, etc.) O jogo simbólico é muito importante para o desenvolvimento. A capacidade de fingir se baseia na capacidade para usar e lembrar dos símbolos. Este tipo de jogo começa quase aos três anos, atingindo o auge entre os quatro e cinco anos, daí então, aos seis ou sete, evolui para o jogo seguido por regras. Através da imaginação, as crianças conseguem entender melhor o ponto de vista de outra pessoa, desenvolvem habilidades para resolver problemas sociais e podem expressar sua criatividade. é importante levar em conta o ambiente em que a criança se desenvolve, isto é, se os pais ou pessoas responsáveis pelo cuidado do menor, o impulsionam ou não ao jogo fingido. Uma criança que passa muito tempo diante do televisor, terá mais dificuldade em usar sua criatividade do que outra que conta com recursos a ajudam a utilizar sua criatividade. A criança que contar com recursos que ajudem a expressar sua criatividade através do jogo, tanto social como cognoscitivo, será um adulto sem dificuldades para encontrar sua vocação e que, melhor ainda, desfrutará fazendo seu trabalho. No entanto, uma criança que por alguma razão foi impedida de brincar, jogar e mostrar sua criatividade, se tornará um adulto com dificuldades para trabalhar; poderá ser um adulto passivo em vez de ativo e participativo em seu trabalho ou profissão. O título desta pequena reflexão pretende conscientizar sobre a importância de certas atividades para a criança, que ao adulto podem parecer intranscendentes em um dado momento. E você, que tipo de criança foi? Jogou e brincou ou vivia diante da televisão?. Por outro lado, até que ponto você desfruta seu trabalho atual? Encontrou sua verdadeira vocação ou foi sendo levado pela vida?. Pense nisto.

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